Crise institucional: plenário do Supremo foi transformado em palco para queda de máscaras

Não foi por acaso quando alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) exigiram a entrega, pela Polícia Federal, da íntegra dos dados extraídos de um dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero.

As primeiras manifestações na sessão desta terça-feira (15) do STF foram marcadas por revelações que mandaram pelos ares a frágil postura de paladinos da moralidade nacional de alguns magistrados – leia-se André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

Nunes Marques, como mostramos em matéria anterior, declarou-se impedido de participar da sessão, que tem Alexandre de Moraes como alvo, sob a justificativa de não desejar interferir no processo eleitoral. Na verdade, Nunes Marques preferiu no participar da sessão após vir à tona mensagens em que o nome do seu filho, o prodígio advogado Kevin Marques, é relacionado a pagamento de R$ 500 mil pelo Banco master, por intermédio de empresa e consultoria tributária.

Filho de Fux

O ministro Luiz Fux, que migrou para o núcleo que defende os golpistas de 8 de janeiro de 2023, preferiu ignorar as mensagens encontradas no celular de Vorcaro e que citam o nome do seu filho, o advogado Rodrigo Fux.

Na troca de mensagens entre Rodrigo e Vorcaro, o banqueiro chama o advogado para “me ajudar num caso”. Na sequência, ambos agendam reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.


 
Matéria relacionada
. Justificativa de Nunes Marques para não participar de sessão sobre conduta de Moraes é patética

Em nota, a assessoria de Rodrigo Fux afirmou que ele nunca advogou para Vorcaro nem para o Master, nunca fez qualquer proposta de trabalho ao grupo econômico e nunca recebeu qualquer valor do ex-banqueiro.

A troca de mensagens também revela que Vorcaro bancou ingressos para a família do advogado em camarote VIP no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, na Sapucaí, em fevereiro de 2025.

Em 5 de novembro de 2025, Vorcaro escreveu a Rodrigo Fux: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”. O advogado respondeu: “Claro. O que for melhor pra vc”. Em seguida, eles combinam uma chamada de vídeo. “Será um prazer, se eu puder ajudar”.

No dia seguinte, o banqueiro enviou um arquivo para o advogado, que respondeu: “Só conseguirei ver no detalhe no final de semana. Ok? Te aviso”.

Nas mensagens, o advogado e o banqueiro se tratam de maneira informal. Rodrigo chamou Vorcaro de “amigo” e “irmão”. Em maio de 2024, o filho do ministro Luiz Fux convidou o banqueiro para um encontro. “Quando estiver em Sp te dou um toque pra almoçarmos ou fumarmos um charuto”, escreveu.

Em dezembro de 2025, Rodrigo e Vorcaro agendaram um encontro no escritório do advogado, no Rio de Janeiro. Rodrigo alega cancelado compromissos para viabilizar a reunião, já que Vorcaro voltaria para São Paulo no mesmo dia. “Puxa, eu tenho que ir embora as 16 pra sp. Eu conseguiria 14″, escreveu Vorcaro.

Rodrigo, por sua vez, afirma que reorganizaria a agenda. “Deixa eu ver. Beleza. Vou remarcar uma aqui pra te atender. 14hs. Marcado. Tapete vermelho irmão.”

Em janeiro de 2025, Rodrigo Fux convidou Vorcaro para sua festa de aniversário. Em fevereiro, o banqueiro disse que tinha uma área especial em camarote da Sapucaí e perguntou se Rodrigo gostaria de ir. “Estou indo com a noiva. Esquema sem muita confusao.”

Rodrigo agradeceu ao amigo e nos dias seguintes eles combinaram horários e local para encontro. “Meu amigo. Vai hoje? Me avisa quando estiver lá pra te dar um abraço”, escreveu o filho de Luiz Fux.

Convite de Mendonça

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que ele foi convidado pelo menos duas vezes para eventos Instituto Iter, fundado pelo ministro André Mendonça.

Um dos convites foi feito em maio de 2025, por interlocutor, para o lançamento do instituto em Minas Gerais. O comunicado cita o nome de Vorcaro, um coquetel no hotel Fasano de Belo Horizonte e menciona um debate, com o próprio Mendonça e o ministro Antonio Anastasia (TCU), para “poucos convidados, que foram selecionados pelo Iter”.

O instituto confirmou o convite, mas ressaltou que foi feito “por iniciativa de terceiros”, mas que em seguida Vorcaro fora desconvidado. “Ao tomar conhecimento da tentativa, o CEO do Instituto Iter, Victor Godoy, se posicionou contrariamente à participação de Daniel Vorcaro e barrou o convite”, afirmou o Iter, em nota.

O fato de Daniel Vorcaro ter sido desconvidado, como informa o Iter, não anula o ato de convidar o ex-banqueiro para evento com poucos convidados.

A sessão do STF desta terça-feira revela que todos devem ser investigados, sem a mínima dose de privilégio para um ou outro. O Brasil precisa seguir o seu caminho sem o contínuo estorvo de escândalos infindáveis.