Emissoras de televisão dos EUA suspendem cobertura após Trump vetar jornalistas

As principais redes de televisão dos Estados Unidos concordaram nesta segunda-feira (21) em suspender a cobertura conjunta dos compromissos de Donald Trump por um dia, após o veto imposto a seus colegas da CNN, da MS NOW e do portal Politico, na última sexta-feira.

Ao lado da CNN, as outras quatro emissoras que anunciaram a paralisação dividem a responsabilidade pela cobertura televisiva dos eventos presidenciais nos Estados Unidos. São elas: ABC, CBS, Fox News e NBC.

Essas empresas formam o grupo de imprensa da Casa Branca, um pequeno número de correspondentes, jornalistas de televisão e fotógrafos focados na cobertura jornalística da Presidência americana.

O pool representa todo o restante da imprensa em eventos com espaço restrito, como reuniões no Salão Oval, viagens no Air Force One e deslocamentos presidenciais. As informações, imagens e vídeos produzidos por essas cinco emissoras são compartilhadas com centenas de veículos de comunicação nos EUA e no exterior.

“Pela primeira vez em meus 30 anos cobrindo a Casa Branca, o presidente não terá uma câmera de uma emissora de TV nacional acompanhando suas atividades oficiais diárias e suas viagens”, afirmou Peter Baker, repórter do jornal The New York Times.

Veículos movem ação contra o governo

A tensão entre a Casa Branca e os meios de comunicação aumentou ainda mais nesta segunda após os três veículos impedidos de cobrir a Casa Branca moverem um processo contra o governo federal perante um juiz do Tribunal Distrital de Washington.

De acordo com os veículos de imprensa, a ação poderá levar à realização de audiências e à apresentação de argumentos jurídicos pelo governo ainda nesta semana.


 
Na ação, os três veículos alegam que o veto seletivo do governo americano constitui “uma violação flagrante” da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de imprensa.

“A Constituição não permite que um presidente ou qualquer outro agente governamental prive a imprensa de seus direitos garantidos pela Primeira Emenda, nem de seus interesses de liberdade e propriedade, sem aviso prévio ou devido processo, apenas por não gostar do conteúdo de sua cobertura jornalística”, afirmaram os veículos na ação.

Trump, por sua vez, defendeu a medida em publicação feita na manhã desta segunda-feira em sua rede social.

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que valorizo profundamente”, escreveu. “Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América.”

O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou hoje que “cerca de 92%” das notícias publicadas pelos veículos vetados sobre Donald Trump e seu governo são “negativas”.

“Ele não está proibindo os meios de comunicação. O que está dizendo é que não dará acesso privilegiado à Casa Branca se eles se dedicarem ao que, na prática, é propaganda.”

Questionado sobre se considera a medida um ataque à liberdade de expressão, o vice-presidente respondeu que os veículos “ainda podem cobrir a Casa Branca de Trump”.

O anúncio dos vetos representa uma escalada nos esforços de Trump para restringir coberturas jornalísticas que considera inaceitáveis, por meio de ações judiciais e medidas administrativas. Além de punir determinados veículos de comunicação, sua estratégia incluiu ataques a jornalistas, sobretudo mulheres. (Com agências internacionais)