
Candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro disse que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou as postagens sobre Nossa Senhora Aparecida visa garantir a reeleição de Lula. Além disso, Flávio afirmou que a polêmica ganhou força com ajuda da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que negou envolvimento no caso.
Não é novidade o apreço do clã Bolsonaro pela vitimização, mas desta vez a desfaçatez do presidenciável do PL foi longe demais. Inicialmente é preciso considerar que a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir as postagens a Padroeira do Brasil partiu do ministro André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” indicado ao STF por Jair Bolsonaro.
Também indicado ao STF pelo golpista condenado e preso, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, reagiu à decisão de Dino e procurou o presidente do STF para tentar reverter o quadro, mas a investida pode não surtir efeito.
Diante da ineficácia da atuação de Nunes Marques, advogados de Flávio Bolsonaro entraram com recurso no STF, nesta segunda-feira (28), contra a decisão de Dino que atendeu pedido do humorista Antonio Tabet, que escreveu nas redes sociais: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
O pedido dos advogados de Flávio foi direcionado ao ministro Luiz Fux, relator de um dos recursos no STF que discutem a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet. O dispositivo trata da responsabilidade civil das plataformas por conteúdos publicados por terceiros e dos limites para a remoção de publicações sem ordem judicial. Fux, como se sabe, tem declarado votos que beneficiam a família Bolsonaro, como, por exemplo, nos casos da trama golpista e do Banco Master.

Enquanto Flávio Bolsonaro esperneia, o ministro Nunes Marques faz as vontades do candidato do PL. Em recente decisão, o presidente do TSE suspendeu liminarmente a veiculação de um jingle da campanha de Lula que associa Flávio ao esquema de rachadinha, ao caso do Banco Master e à compra de imóveis em dinheiro vivo.
O jingle cita Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, e afirma que Flávio recebeu do ex-banqueiro R$ 61 milhões para financiar (sic) o filme Dark Horse. O jingle também menciona que Flávio homenageou o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, afirma que o candidato recebeu depósitos em dinheiro através de uma loja de chocolates e destaca que a família Bolsonaro comprou ao menos 51 imóveis com dinheiro vivo.
Os advogados de Flávio Bolsonaro alegaram que as associações ao candidato do PL configuravam “conteúdo fabricado e manipulado”. Nunes Marques afirmou em sua decisão que a desinformação eleitoral pode envolver distorções de fatos, não apenas informações inteiramente falsas.
Talvez o presidente do TSE, atarefado com o conteúdo dos celulares de Vorcaro, não saiba, mas Flávio Bolsonaro admitiu publicamente ter pedido ao ex-dono do Master, a tal loja de chocolate foi fechada às pressas e documentos oficiais mostram que imóveis foram comprados com dinheiro em espécie pelo clã golpista. Além disso, servidores do outrora gabinete de Flávio na Alerj afirmaram em depoimento que eram obrigados a repassar parte dos salários. Ademais, o miliciano empregou a mãe e a esposa no gabinete de Flávio.
No contraponto, Nunes Marques negou, na última terça-feira (22), um pedido de retirada urgente de vídeo publicado por Flávio no Instagram e no Facebook que associa a vitória de Lula em 2022 a uma comemoração atribuída a pessoas presas. Na propaganda, o candidato afirma que “os bandidos comemoraram a vitória do seu candidato” e acrescenta que, com o resultado da eleição, “eles realmente venceram”.
Para Nunes Marques, os elementos apresentados pela coligação de Lula não eram suficientes, na análise preliminar, para demonstrar que o vídeo utilizado por Flávio Bolsonaro era falso ou descontextualizado. (Imagens geradas por inteligência artificial)



