Flávio Bolsonaro recua, muda pronunciamento e troca “verdadeiro presidente” por “líder do Brasil”

Após publicar em uma rede social carta de teor golpista, na qual se autodeclarava “o verdadeiro presidente do Brasil”, o fugitivo Flávio Bolsonaro, possivelmente orientado por aliados, apagou a publicação.

No comunicado, Flávio escreveu: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente do Brasil”. A primeira de três páginas do documento exibia o brasão da República Federativa do Brasil.

Na sequência, em nova publicação, Flávio demonstra a extensão de sua conhecida covardia ao se autointitular “o líder do Brasil”, em vez de “o verdadeiro presidente”.

Sem apresentar qualquer prova, como de costume, Flávio Bolsonaro afirma ter ocorrido fraude eleitoral no segundo turno e que ele é alvo de perseguição política por um “regime de exceção instaurado no Brasil”.

A declaração é tão patética quanto mentirosa, pois é no alegado “regime de exceção” que seus irmãos Carlos e Jair Renan e a madrasta Michelle Bolsonaro foram eleitos e tomarão posse nos respectivos cargos em 1º de fevereiro de 2027.

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Flávio empreendeu fuga porque tem ciência de que é grande a chance de ser condenado e preso em pelo menos um dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e que investigam suposta lavagem de dinheiro em conluio com o advogado Willer Tomaz, que também está em Miami, e sua canhestra proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a quem o ainda senador costumava chamar de “irmãozão”.

Delirante, a reação de Flávio decorre do abandono por parte de outrora aliados, que demonstraram indignação diante da fuga do senador. Na segunda-feira (26), o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu a vitória de Lula. Na terça-feira (27), Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio, teve atitude idêntica e reconheceu a derrota. Não menos importante foi a manifestação do governador Tarcísio de Freitas, de São Paulo, que considerou a eleição como página virada e destacou a necessidade de um “projeto de país”.

“Estados Unidos do Brazil”

A aliados, Flávio Bolsonaro afirma que “liderará a oposição” a partir dos Estados Unidos. Em nova manifestação mentirosa, o candidato derrotado escreveu: “Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”.

A versão original do pronunciamento, inicialmente publicada pelo blogueiro Paulo Figueiredo, neto do último ditador brasileiro, continha o termo “presidente eleito do Brasil” e exibia um brasão onde era possível ler “Estados Unidos do Brazil”, nome oficial do País até 1931.

Sobre fazer oposição à distância, como sugerido, Flávio precisa combinar com aqueles que já têm em mãos um binóculo voltado para 2030. A sua fuga abriu enorme flanco no campo da direita, que na esteira dos desdobramentos do pífio espetáculo quer se desvencilhar do radicalismo bolsonarista. Afinal, as urnas do último domingo deixaram um recado claro.