
Após fugir do Brasil a bordo de um jatinho fretado que decolou da Argentina na madrugada, o candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) aterrissou na manhã nesta quarta-feira (28) em Miami, nos Estados Unidos.
Vídeos mostram o momento em que o senador desce da aeronave, acompanhado pela mulher, Fernanda, e as duas filhas, Luiza e Carolina.
O jatinho aterrissou por volta das 10h15 (horário de Brasília) no aeroporto executivo de Opa-Locka, vindo da cidade argentina de Puerto Iguazú, após escala em Guayaquil, no Equador.
Com os passaportes cancelados por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio embarcou com a família na madrugada desta quarta-feira (28), após uma sucessão de informações desencontradas sobre seu paradeiro. Tal estratégia fazia pare do plano de fuga, coo forma de despistas autoridades brasileiras.
A ordem de Moraes se baseou em um pedido da Polícia Federal (PF), que temia justamente a fuga do senador investigado em duas ações criminais: por suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes no âmbito dos escândalos do Banco Master e dos desvios no INSS — neste último caso, ele é investigado junto com o advogado e amigo Willer Tomaz, que está em Miami desde a última semana.
O governo de Donald Trump já confirmou que dará abrigo ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele se juntará nos EUA ao irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado pelo STF por tentar interferir nas decisões da Justiça brasileira em benefício do pai que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Flávio avistado pela última vez em Brasília
Antes de reaparecer publicamente em Miami na manhã desta quarta-feira, Flávio havia sido visto pela última vez em um vídeo publicado na segunda-feira (26/10) à tarde nas redes sociais.
“Eu nunca pensei em sair do país”, afirmou ele ao comentar a ordem judicial que o obrigava a entregar seus passaportes até as 11h de terça-feira. “Vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, acrescentou.
Na publicação, ele também deu a entender que continuaria no país para “organizar a oposição” ao governo reeleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mais cedo naquele mesmo dia, o senador havia feito uma visita ao pai em Brasília.
Os rumores desencontrados sobre a fuga começaram na madrugada de terça-feira, após o site argentino Infobae reportar que ele havia cruzado a fronteira entre o Brasil e a Argentina rumo à cidade de Puerto Iguazú. De lá, segundo a publicação, Flávio pegaria um voo particular para Miami, nos Estados Unidos.
O jornal argentino La Nación, citando fontes da Polícia de Seguridad Aeroportuaria (PSA) da Argentina, informou que o voo tinha partida prevista para às 2h de terça-feira. A aeronave, no entanto, só decolaria na madrugada seguinte – depois que aliados de Flávio já haviam ajudado a espalhar na imprensa uma sucessão de informações desencontradas sobre o paradeiro do senador e o itinerário de sua fuga, numa aparente tentativa de despistar jornalistas e as autoridades brasileiras.
Mentira de Milei
Como afirmou o UCHO.INFO em matéria publicada na edição de terça-feira, o presidente da Argentina, Javier Milei, mentiu desavergonhadamente ao negar a presença de Flávio no país, assim como refutou a ideia de que um jato privado levaria o senador até os EUA.
Não causa estranheza o fato de que Milei e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tenham se recusado a reconhecer a vitória de Lula no segundo turno da disputa presidencial, que garantiu ao petista um novo mandato.
Tomando por base a informação de que a fuga de Flávio Bolsonaro foi coordenada por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, Trump precisou da participação rasteira de Milei para levar o plano adiante.


