Oposição argentina cobra explicações do governo de Milei sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Partidos de oposição da Argentina exigiram, nesta quarta-feira (28), explicações do governo do presidente Javier Milei sobre a entrada do senador Flávio Bolsonaro em território do país durante sua fuga para os Estados Unidos em avião particular.

O deputado federal Maximiliano Ferraro, da Coalizão Cívica, anunciou que solicitará ao ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, e à ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva, que prestem esclarecimentos no Congresso sobre o envolvimento de órgãos estatais no transporte do senador brasileiro e de sua família na província de Misiones, na fronteira com o Brasil.

“Eles precisam assumir a responsabilidade e prestar contas perante o Congresso”, escreveu Ferraro no X.

O congressista afirmou que houve coordenação e cumplicidade na saída de Bolsonaro e mencionou uma possível assistência operacional da Direção Nacional de Migrações, da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) e da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE).

Além disso, questionou o fato de o governo argentino não ter reconhecido institucionalmente o resultado eleitoral no Brasil — país que definiu como parceiro estratégico da Argentina e membro do Mercosul —, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro.

O deputado Pablo Juliano, da União Cívica Radical, também apresentou um projeto para interpelar Quirno e solicitou informações sobre as circunstâncias da entrada e da saída de Flávio, as comunicações diplomáticas e a eventual intervenção de autoridades nacionais.

A iniciativa visa esclarecer quem contratou e financiou o voo particular no qual Bolsonaro e sua família fugiram, partindo da Argentina.

Juliano também solicitou esclarecimentos sobre a suposta presença em Misiones de Santiago Caputo, um assessor próximo a Milei, durante a decolagem da aeronave.

Por sua vez, o deputado peronista Agustín Rossi, que ocupou o Ministério da Defesa e outros altos cargos em governos peronistas, promoverá a interpelacão do atual chefe de Gabinete, Diego Santilli.

“Os fatos estão à vista. As explicações, não”, afirmou Rossi ao advertir que “a Argentina não pode ser a rota de fuga de ninguém”.

Na mesma linha, o socialista Esteban Paulón acusou o governo de ter facilitado a saída do senador, enquanto a deputada de esquerda Myriam Bregman exigiu explicações urgentes. (Com agências internacionais)