Novas regras da Caixa Econômica Federal farão os preços dos imóveis cair e o dos alugueis aumentar

casas_04Mais difícil – O sonho de milhares de brasileiros que pretendiam comprar um imóvel pode ter sido adiado por muito tempo. Responsável por 70% dos financiamentos imobiliários no Brasil, a Caixa Econômica Federal anunciou mudanças na regras na segunda-feira (4).

Para os imóveis com valor de até R$ 750 mil, a entrada mínima de 20% passou para 50%. Para os imóveis acima desse valor, a entrada passou de 30% para 60% do total. As alterações valem para os imóveis usados.

O balanço do primeiro trimestre feito pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostrou que, mesmo sem as novas regras, o setor passa por grave crise. Pela primeira vez, desde 2002, houve queda no financiamento imobiliário. A decisão da Caixa de reduzir o teto só ratifica essa tendência para os próximos meses.

Um dos principais motivos é a debandada da poupança. Vale destacar que os depósitos em poupança são a principal fonte de recurso para os bancos oferecerem financiamento. Segundo Marcelo Motta, analista da JP Morgan, para continuar emprestando sem poder usar o dinheiro da poupança, a Caixa tem de arcar com um custo mais alto, o que significa aumentar os preços do empréstimo e tirar os incentivos dessa linha. “O empréstimo continuará ficando mais difícil e mais caro, dado o nível de juros e o fato que o estoque de poupança está acabando”, alerta.

De acordo com o economista e pesquisador Eduardo Zylberstajn, coordenador do índice FipeZap, a dificuldade para adquirir um imóvel terá duas consequências. Uma delas é o aumento da demanda por locação e o consequente aumento do preço dos aluguéis. Em contrapartida, como a renda da população está em queda, não há margem para esses valores subirem demais, pois não haverá quem pague por eles.

A outra consequência é a diminuição do valor de venda dos imóveis. Até 2012, o Brasil aparecia entre os países que tiveram as maiores valorizações imobiliárias. Mas hoje o cenário mudou. Em 2014 o crescimento no país foi de apenas 0,9%, enquanto o Reino Unido registrou alta de 9%. Para 2015 haverá uma queda real de até 3% nos preços.

Depois de vinte anos de expansão, a China viu a desaceleração do mercado imobiliário e da construção civil. Como consequência, até o sistema bancário ficou ameaçado. Diante da experiência chinesa, cabe ao Brasil todo o cuidado e atenção para evitar que o momento atual avance em direção a cenários econômicos ainda mais complicados. (Por Danielle Cabral Távora)

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