Muito confuso – Com anos de atraso – displicência que teve Luiz Inácio da Silva como principal responsável –, o Palácio do Planalto lançou na última semana, com direito ao costumeiro alarde, um plano para proteger os produtos nacionais da concorrência estrangeira (“Brasil Maior”). O evento, que serviu como cortina de fumaça às seguidas crises políticas que marcam o governo de Dilma Vana Rousseff, ainda carece explicações sobre o seu funcionamento e detalhes sobre os incentivos a determinados segmentos da economia, como é o caso das montadoras.
Para fazer jus à redução de IPI até 2016, as montadoras terão de usar o máximo possível de componentes fabricados no Brasil, ação que por enquanto é considerada complexa. Nas conversas que terão com autoridades da área econômica do governo federal, os representantes do setor terão de cobrar a extensão dos benefícios aos fabricantes de autopeças, pois do contrário os componentes produzidos no exterior continuarão dominando os carros nacionais.
Se legislação trabalhista e com preços que estimulam a concorrência predatória, a China segue a passos largos no campo das autopeças. É verdade que a qualidade dos produtos é questionável, até porque não se pode aferir a eficácia da matéria-prima utilizada na produção dos mesmos, mas em tempos de crise qualquer redução de custa acaba prevalecendo, mesmo que a durabilidade interfira na relação custo benefício.
Além desse cenário que contribui para a avalanche de produtos importados, o país passa por um sério e preocupante processo de desindustrialização. Não é de hoje que os jornalistas do ucho.info alertaram para o perigo de o Brasil ter se tornado uma nação com crescente número de prestadores de serviços. A decisão do Planalto de lançar o “Brasil Maior”, mesmo que tardia, pode reverter esse quadro no médio prazo, mas é preciso clareza ao detalhar os tópicos do plano. Do contrário, o “Brasil Maior” será mais um engodo marqueteiro encomendado pelo Executivo nacional.



