Casa da Moeda não esclareceu caso dos US$ 25 milhões em propina, mas quer elucidar sumiço de R$ 5 mil

Fio trocado – Chega a impressionar a capacidade do Palácio do Planalto de produzir factóides para encobrir escândalos de grandes proporções. No enfadonho e dominical Fantástico, a sempre amestrada Rede Globo levou ao ar reportagem sobre o sumiço de R$ 5 mil da Casa da Moeda, em notas de R$ 50. De acordo com a sindicância interna, o desaparecimento das cem notas foi constatado em janeiro de 2011 no cofre do órgão.

Elevados à potência, os detalhes da reportagem por certo fariam inveja a Sherlock Holmes, o investigador criado pelo inglês Arthur Conan Doyle. A direção da Casa da Moeda alegou que o que mais preocupa não é o valor subtraído da empresa, mas o fato em si, pois o Banco Central e o Banco do Brasil, responsáveis pela distribuição do dinheiro, não têm o hábito de conferir as cédulas, segundo a reportagem.

Os brasileiros que acompanharam a exibição da matéria não devem se orgulhar dessa inusitada descoberta das autoridades, pois a Casa da Moeda tem escândalo de proporções maiores para investigar, mas por questões política prefere ignorar o assunto. Indicado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) para presidir a Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci foi apeado do cargo na esteira da acusação de ter cobrado de fornecedores US$ 25 milhões em propina. O dinheiro, conforme informou o ucho.info em matéria de 2 de fevereiro passado, foi remetido para contas bancárias no exterior, por meio de empresas internacionais registradas no nome da filha de Denucci.

O ministro Guido Mantega foi avisado das transgressões cometidas por Luiz Felipe Denucci em agosto de 2011, mas decidiu deixar o temeroso assunto de lado. De tal modo, imaginar que a Casa da Moeda elucidará o sumiço dos R$ 5 mil, quando o mistério dos US$ 25 milhões ainda perdura, é no mínimo um ato de irresponsabilidade.