Osborne reivindicou que se reduzam os benefícios sociais em toda a Europa, a fim de elevar a competitividade do bloco em relação a economias emergentes como a da China ou da Índia. O status quo mantém a UE na crise econômica, afirmou o colaborador próximo do primeiro-ministro David Cameron. “Há uma opção simples para a Europa: reforma ou saída.”
O ministro apresentou dados estatísticos: a região seria responsável por 7% da população mundial, 25% do desempenho econômico e 50% dos benefícios sociais. “Assim, não pode continuar”, concluiu. A conferência foi promovida pelos “think tanks” eurocéticos Open Europe e Fresh Start Project.
Estratégia eleitoral?
O discurso inflamado de George Osborne e sua exigência de reformas imediatas vieram de forma inesperada. Sobretudo porque, do ponto de vista de muitos Estados-membros da UE, Londres exige reformas para fora, ao mesmo tempo que puxa o freio na hora das negociações concretas. Um exemplo seria o bloqueio do premiê Cameron à participação de seu país no pacto fiscal europeu, em 2011, numa atitude de efeito espetacular.
O chefe de governo prometeu aos britânicos, até 2017, realizar um referendo popular sobre a permanência do país na União Europeia. A decisão foi tomada diante da pressão dos eurocéticos dentro de seu Partido Conservador e do amplo rechaço à UE no Reino Unido. Antes do referendo, porém, ele prometeu se empenhar por um enxugamento institucional da UE e por trazer competências de volta a Londres, em negociações com Bruxelas.
Alguns observadores interpretam a atual investida de Osborne como tentativa de acentuar o perfil de sua facção contra o eurocético Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), em face das eleições para o Parlamento Europeu, em maio próximo. Reivindicando a retirada britânica da UE e classificado como populista, o Ukip desponta como um concorrente sério para os conservadores. (Com agências internacionais)