Governo do Irã centra esforços na retomada das relações com o Ocidente

(Reuters)
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Passo adiante – De acordo com o presidente Hassan Rohani, o Irã pretende melhorar suas relações com todos os países do mundo, incluindo seus vizinhos, mas não especificou se isso inclui Israel. Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Rohani declarou nesta quinta-feira (23) que está fazendo esforços em prol de um recomeço na área de cooperação econômica.

Segundo o presidente iraniano, o Irã está negociando com os Estados Unidos como parte de um “engajamento construtivo” com a comunidade internacional e está buscando ações de Washington que respaldem tais palavras. Rohani disse também em Davos que as relações com a Europa serão normalizadas no decorrer da implementação do acordo interino em torno do programa nuclear iraniano.

Nesta semana entrou em vigor um acordo com validade de seis meses entre o Irã e o grupo 5+1 (as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha) que restringe o programa nuclear iraniano. Em contrapartida, parte das sanções econômicas a Teerã começou a ser suspensa a partir desta segunda-feira.

Rohani reiterou que o país não está interessado em obter armas nucleares. “Eu determinada e claramente afirmo que armas nucleares não têm lugar na nossa estratégia de segurança e que o Irã não tem motivos para seguir nessa direção”, afirmou.

Eleições como solução para a Síria

A Síria foi outro tema abordado por Rohani em seu discurso no Fórum Econômico de Davos. Por objeção dos Estados Unidos e da oposição síria, o Irã foi impedido de participar de uma conferência internacional sobre a Síria que acontece esta semana em Montreux e Genebra, na Suíça. Os EUA e a oposição foram contra a presença do Irã por causa do apoio do país ao regime de Bashar al-Assad.

Descrevendo o conflito que vem assolando a Síria há quase três anos como “uma catástrofe de ordem maior”, Rohani disse que o Irã está profundamente preocupado com o influxo de combatentes estrangeiros, que ele descreveu como “terroristas”.

“Milhões de pessoas foram mortas, mutiladas ou perderam suas casas – é uma situação miserável e muito ruim.” Depois que os “terroristas” tiverem deixado a Síria, disse Rohani no Fórum Econômico Mundial, “teremos que abrir caminho para que a oposição se sente à mesa de negociações com o governo”.

Segundo o presidente iraniano, a melhor solução para a Síria seria a realização de eleições livres e democráticas e que todos deveriam aceitar os resultados. Rohani afirmou que nenhum partido ou poder externo deve decidir em nome do povo sírio ou em nome da Síria. O chefe de Estado iraniano defendeu que os combatentes estrangeiros que apoiam os rebeldes sírios devam deixar o país para que eleições e negociações entre a oposição e o governo possam acontecer.

Turbinar a indústria petrolífera

À margem do Fórum Econômico Mundial, o Irã também se esforça pela revitalização de sua indústria petrolífera. De acordo com participantes do encontro, Rohani e o ministro iraniano do Petróleo, Bijan Zanganeh, disseram em encontro com empresas petrolíferas estrangeiras que pretendem definir um novo modelo de investimentos até setembro.

Três executivos, que participaram do encontro e preferiram ficar no anonimato, afirmaram à agência de notícias Reuters que os políticos iranianos sublinharam a importância dos combustíveis fósseis em meio ao crescimento da demanda energética global. “Foi uma apresentação impressionante”, disse um dos executivos.

Após o acordo interino, o Irã aposta numa suspensão completa das sanções ao país e, com a ajuda dos investidores estrangeiros, espera impulsionar novamente sua indústria petrolífera. Devido às sanções, a produção de petróleo foi reduzida e muitas instalações se tornaram antiquadas. Além disso, novos poços de petróleo e gás devem ser prospectados.

Questão nuclear no foco

Apesar da política de aproximação com o Ocidente do presidente iraniano, forças reformistas no Irã acreditam que o curso de distensão de Rohani poderá dificultar os progressos rumo à democracia e uma melhora da situação de direitos humanos no país.

Embora Rohani possa propagar a suspensão das sanções internacionais ao Irã como um êxito de sua política externa, para o acordo interino com o Ocidente ele teve de enfrentar a resistência dos conservadores iranianos liderados pelo líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Os reformistas afirmam que a anuência de Khamenei ao acordo com o Ocidente custou a Rohani todo o seu capital político, e que ele não tem mais cartas para outras reformas. “Khamenei deu carta-branca a Rohani somente em relação à questão nuclear e nada mais”, disse um ex-funcionário de alto escalão do governo iraniano. (Com agências internacionais)