Discussão sobre o preço do arroz “azedou” e já contrapõe as equipes de Paulo Guedes e André Mendonça

 
A polêmica envolvendo o preço do arroz, que em algumas cidades brasileiras é vendido a R$ 40 o quilo, vem causando estragos não apenas na mesa do trabalhador, mas também na cúpula do governo de Jair Bolsonaro, que, preocupado com a reeleição, tentou responsabilizar produtores e supermercados pelo problema.

Contrariando o discurso neoliberal defendido pelo ainda ministro da Justiça, Paulo Guedes, o Ministério da Justiça, devidamente autorizado por Bolsonaro, notificou supermercados de todo o País para que, no prazo de cinco dias, expliquem a disparada do preço do arroz.

Em sua enfadonha live semanal, transmitida nesta quinta-feira (10), Bolsonaro afirmou que o ministro da Justiça conversou com ele antes de notificar os supermercados sobre a alta no preço do arroz. “O ministro André Mendonça falou comigo: ‘Posso botar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor para investigar, perguntar para supermercados por que o preço subiu?’ Falei: ‘Pode’. E ponto final”, disse o presidente.

Reza o neoliberalismo que a livre concorrência é um dos pilares da teoria econômica, mas a incompetência de um governo irresponsável e populista não estava no script dos “Chicago Boys” que recheiam o Ministério da Economia.

Inepto em termos de planejamento e previsão de fatos, o que não exige bola de cristal, o governo Bolsonaro prefere ignorar as razões que levaram um pacote de cinco quilos de arroz a ser vendido por R$ 40, provocando uma revolução na mesa do brasileiro. Como já mencionou o UCHO.INFO em matérias anteriores, o episódio arrozeiro decorre de um conjunto de fatores econômicos e mercadológicos e de medidas que o governo não adotou para evitar o pior.

 
Depois de muita discussão, o governo Bolsonaro se convenceu da necessidade de isentar temporariamente, até 31 de dezembro, a importação de arroz, na tentativa de empurrar para baixo o preço do produto. Autoridades de primeiro escalão apostam que a importação conseguirá reduzir o preço do arroz no mercado interno, mas produtores nacionais e comerciantes garantem que na melhor das hipóteses o produto será vendido a R$ 35, a cada cinco quilos.

Ciente de que a inflação dos alimentos tem potencial de sobra para corroer seus índices de popularidade, Bolsonaro não pensou duas vezes antes de terceirizar o problema, colocando a culpa nos supermercados. Contudo, a estratégia palaciana, além de ter fracassado, sinalizou que quando findar o pagamento do auxílio emergencial a situação do governo deverá piorar sobremaneira. Até porque, o brasileiro não se alimenta de promessas vãs e estatísticas frias.

Enquanto a extensa maioria da população busca um substituto para o santo arroz de todos os dias, algo difícil de se encontrar, no “primeiro andar” do governo de Jair Bolsonaro a queda de braços está instalada. E o desfecho do embate não deve ser dos melhores, já que o ministro da Justiça, André Mendonça, agiu pela cartilha da tirania.

Se há dias a equipe econômica ficou sem entender a decisão do Ministério da Justiça de notificar o setor supermercadista, nesta quinta-feira (10) os comandados por Paulo Guedes decidiram cobrar explicações dos subordinados a André Mendonça. Afinal, a decisão foi tomada sem que as pastas da Economia e da Agricultura tivessem sido consultadas sobre o tema. Em suma, como afirmamos acima, Bolsonaro quer manter o ritmo do projeto de reeleição.

Quando a irresponsabilidade e a incompetência de um governante se espalham pelo cotidiano como a fumaça do cozimento do arroz, é porque o governo já passou do ponto e a parcela de bem da população precisa recobrar o brio e sair às ruas. Talvez seja o caso de tirar as vazias caçarolas do armário e promover um ruidoso panelaço.