Tarcísio de Freitas, o “turista acidental” do bolsonarismo, desiste de mudar a Cracolândia de endereço

 
Desde que lançou sua candidatura ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas tem sido tratado pelo UCHO.INFO como “turista acidental”. Nascido na cidade do Rio de Janeiro, Tarcísio, de 48 anos, passou parte do tempo em Brasília, onde serviu aos governos de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro.

Durante a campanha eleitoral de 2022, Tarcísio de Freitas demonstrou em diversas ocasiões não ser capaz de comandar a mais importante unidade da federação. Candidato-fantoche de Jair Bolsonaro, o golpista de plantão, Tarcísio sequer sabia o local onde deveria votar. Ele registrou domicílio eleitoral em São José dos Campos, importante cidade do Vale do Paraíba, sob a alegação de que tem vínculos com o município. O vínculo é um cunhado que lhe cedeu um apartamento na cidade – dizem que foi alugado – para justificar o domicílio eleitoral.

A mais nova prova de despreparo de Tarcísio de Freitas emergiu de um problema de saúde pública que já dura trinta anos: a chamada Cracolândia. Os usuários de drogas se concentravam na Praça Princesa Isabel, no centro da capital paulista, mas foram expulsos do local na esteira de ações das gestões municipais.

Com a mudança de endereço, a Cracolândia recebeu um nome mais atual: “fluxo”. Desde então, as investidas do poder público contra os usuários de drogas têm feito o “fluxo” mudar de endereço constantemente, sempre no entorno da Rua Santa Ifigênia, onde moradores e comerciantes passaram a cobrar medidas por parte do governo estadual.

 
Diante das cobranças para que moradores e comerciantes pudessem transitar e trabalhar sem medo de arrastões, sem contra os roubos cometidos diariamente contra motoristas e pedestres que circulam na região, Tarcísio de Freitas transferiu o “fluxo” para a Ponte Orestes Quércia, conhecida como “Estaiadinha”, na Marginal do Tietê. A mudança, que contou com a participação de policiais, durou pouco. E o “fluxo” retornou ao endereço anterior.

Com discursos que destoavam das declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre o tema, Tarcísio anunciou que o “fluxo” seria transferido para o bairro do Bom Retiro, mais precisamente para o entorno da Rua Prates, onde há equipamentos públicos para tratamento dos dependentes químicos. O governador de São Paulo justificou a decisão com a proposta de identificar individualmente cada usuário de droga, uma espécie de recenseamento do “fluxo”, com o objetivo de descobrir quem é foragido da Justiça, quem está em liberdade provisória e aqueles que têm família.

Pois bem, a proposta delirante de Tarcísio de Freitas durou pouco. Com o protesto dos comerciantes e moradores do Bom Retiro, o governo de São Paulo divulgou nota no final desta quinta-feira (20) informando que a transferência está suspensa e uma nova proposta está sendo estudada para solucionar o problema do “fluxo”.

“Após novas avaliações, a estratégia de direcionar o fluxo para o Complexo Prates será revista. Novas possibilidades para solucionar o problema da Cracolândia estão sendo estudadas e serão divulgadas em breve’, destaca a nota do governo paulista.

Uma questão de saúde pública só pode ser solucionada com programas sociais, ao passo que o tráfico de drogas é assunto de competência dos órgãos de segurança. Enquanto as duas medidas não forem adotadas de forma concomitante, a Cracolândia ou “fluxo” continuará existindo. Para concluir, lembramos que competência não se compra no armazém da esquina mais próxima.


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