Explicações para currículo acadêmico fraudado derrubam discursos e atos de Flávio Bolsonaro

Ultrapassa as fronteiras do escárnio a manifestação do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, para explicar as informações fraudulentas sobre atividades acadêmicas, as quais constavam em biografia do parlamentar publicada nos sites da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e do Senado.

Nesta quinta-feira (13), com o intuito de tentar conter a repercussão do caso, a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro publicou diploma de graduação e certificados de participação em cursos. Nas informações divulgadas, a campanha afirma que Flávio é especialista em políticas públicas.

Ao longo de quase oito anos de mandato como senador, Flávio Bolsonaro apresentou apenas três projetos. Um deles, a chamada “PEC das Praias”, previa a transferência para ocupantes particulares a posse de “terrenos de marinha”.

Em agosto de 2026, foi noticiado que Flávio tinha interesse pessoal no projeto, pois através de processo que tramitou com extrema rapidez junto à União, em julho de 2022 o advogado Willer Tomaz de Souza (ligado a Flávio), conseguiu a posse de um “terreno de marinha” onde estava situada a mansão do jogador Richarlison, na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.

Para quem se apresenta publicamente como “especialista em políticas públicas”, o caso em questão mostra que Flávio é uma cilada com mandato parlamentar.

O advogado Willer Tomaz foi alvo de recente operação da Polícia Federal, deflagrada no âmbito do caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A mesma operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Compadre de Weverton, o advogado Willer Tomaz foi responsável por agendar reunião do senador maranhense com Flávio Bolsonaro, em 2021, em luxuosa mansão no Condomínio Mangaba, às margens do Rio Preguiças, na cidade de Barreirinhas (MA).

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Segurança pública e milícias

Entre as muitas explicações dadas por sua assessoria de campanha, Flávio Bolsonaro afirma que tanto na Alerj quanto no Senado ocupou a presidência da Comissão de Segurança Pública.

Em seu segundo mandato como deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio planejava “apresentar um projeto regulamentando as atividades das ‘polícias mineiras’”.

“As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança? O Estado não tem capacidade para estar nas quase mil favelas do Rio. Dizem que as milícias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes”, justificou o filho “01” à época.

Alguém que defendeu a regularização da atividade das milícias jamais poderia ter comandado as Comissões de Segurança Pública da Alerj e do Senado.

Porém, o discurso mudou de acordo com sua conveniência político-eleitoral.

Em junho último, Flávio defendeu a classificação de milícias como grupos narcoterroristas, assim como as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). “Qualquer criminoso que imponha medo coletivo e adote as práticas do CV e PCC tem de ser enquadrado como terrorista, [milicianos] incluídos”, afirmou.

“Eles dominam bairros inteiros, impõem um medo coletivo. Eles dominam bairros inteiros […], qualquer pessoa que mora num local desse, para abrir o seu pequeno comércio, tem que pagar taxa para miliciano ou traficante. A gente tem que libertar essas pessoas”, falou o senador.

Contudo, a ousadia do ex-presidente das citadas comissões permanentes de Segurança Pública não parou. Flávio empregou em seu gabinete na Alerj ninguém menos que a mãe e a esposa de Adriano Magalhães da Nóbrega, um dos líderes da que atua na comunidade de Rio das Pedras, na zona oeste carioca, e foi um dos fundadores do grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório de Crime”.