
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (22), em discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, que poderá recorrer à força militar na América Latina caso considere que os interesses americanos estejam sob ameaça. Trump também endureceu o tom em relação a Cuba e aos cartéis do narcotráfico, além de dizer que os Estados Unidos voltaram a ser “respeitados” no cenário internacional.
“Os Estados Unidos já não permitirão que ameaças contra o país se consolidem em nenhum lugar do continente americano. E, se for necessário, utilizaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais dos Estados Unidos”, declarou.
Trump citou como exemplo a operação militar americana realizada em 3 de janeiro em Caracas, que resultou na captura e deposição do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Segundo o presidente americano, Maduro está preso em Nova York por acusações de narcotráfico.
De acordo com Trump, desde a operação “centenas de presos políticos foram libertados”. Ele afirmou ainda que seu governo trabalha por um “futuro muito melhor para o povo venezuelano” e destacou o acordo pelo qual os Estados Unidos passarão a controlar parte das reservas de petróleo da Venezuela.
Em outro momento do discurso, Trump voltou a atacar os cartéis do narcotráfico e cobrou medidas do México para combatê-los. Atualmente, o país não integra a iniciativa liderada por Washington para combater o narcotráfico na América Latina.
O presidente americano ainda comparou os cartéis ao Estado Islâmico (EI). “Os cartéis são o EI do continente americano porque torturam e extorquem como instrumento de terror”, disse.
O republicano disse que os grupos criminosos “deveriam ser eliminados, exilados ou detidos como combatentes inimigos sem possibilidade de libertação”. O presidente também defendeu sua campanha de bombardeios contra embarcações supostamente utilizadas para transportar drogas no Mar do Caribe.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também discursou na abertura da Assembleia Geral e deixou um recado direto ao esforço americano de combate ao narcotráfico.
“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. (…) Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, disse Lula. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.”
Regime cubano “vai cair”
Citando Cuba, o republicano ainda afirmou que o país “vai cair”, sem detalhar como isso ocorreria, e voltou a defender uma mudança de regime na ilha.
“O regime comunista está sob forte pressão, a maior que já enfrentou. Cuba vai cair”, declarou. “É um Estado que fracassou completamente. Está fracassando como nunca e acabará caindo.”
Após as declarações, a delegação cubana abandonou o plenário da Assembleia Geral. Cuba deverá discursar no sábado, representada pelo chanceler Bruno Rodríguez. “O comunismo nunca chegará aos Estados Unidos, mas a liberdade chegará a Cuba”, acrescentou Trump.
Trump lidera um governo marcado pela esquizofrenia política, que cria inimigos a todo momento para camuflar a crise econômica americana e jogar fumaça sobre o escândalo sexual comandado por Jeffrey Epstein.
Sobre derrubar o governo de Havana, Trump precisa antes de qualquer ação desastrada combinar com o russo Vladimir Putin, que não costuma brincar em serviço. O melhor exemplo é o “baile” que os iranianos estão impondo a Donald Trump, que continua agindo como xerife planetário. (Com agências internacionais)




