Discurso na ONU

(*) Gisele Leite

O atual Presidente da República brasileiro realizou discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU em 22 de setembro de 2026, sendo o momento mais crítico das Nações Unidas, e ainda lembrou de sua primeira vez ainda em 2003.

Apontou que a ONU está falhando justamente em uma das missões mais relevantes que é a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa.

Revelou seu sentimento de indignação e alertou para o alto preço pago pela comunidade internacional pela ausência do veto. Professou a defesa do multilateralismo, a defesa da soberania e, até do PIX.

A declaração é uma referência aos discursos recentes do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que voltou a falar da América Latina como “quintal dos EUA” no âmbito da Doutrina Donroe, releitura que o governo Trump fez da Doutrina Monroe, da primeira metade do século XIX, que afirmava a primazia e o controle político e econômico dos EUA sobre a região.

Afirmou textualmente: “A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zona de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos”. Presidente Lula.

E, prosseguiu:

“Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano.”

À comunidade internacional, Lula defendeu o fim das bets no Brasil e da jornada de trabalho 6×1 — bandeiras da campanha à reeleição do presidente.

Na ONU, Lula disse que “as pessoas estão cansadas da violência”, mas o Brasil não vai “terceirizar a responsabilidade de defender suas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”.

Lula falou ainda de outros temas nos quais o Brasil é visto como uma liderança internacional, como a agenda ambiental e o combate multilateral à desigualdade.

Também citou o Papa Leão 14 ao dizer que acompanha com preocupação a evolução da IA (inteligência artificial) no mundo – aqui, abriu um aparte ao público interno, afirmando que vai impor limites às bets.

“O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio”, declarou o presidente, que pode nos próximos dias lançar uma medida provisória sobre o assunto.

Se compararmos o discurso do atual Presidente brasileiro e o atual dos EUA, temos a nítida impressão de que habitamos planetas diferentes e desfrutamos de realidades absolutamente díspares.

(*) Gisele Leite – Mestre e Doutora em Direito, é professora universitária.

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